A força-tarefa destacou os resultados do primeiro teste regional de estudantes primários, que foi administrado em 1998 pela Organização Educacional, Científica e Cultural
da ONU (Unesco).
"Cuba liderou a região nos resultados de terceira e quarta série em matemática e língua", afirma a equipe. "Mesmo as classes mais baixas de estudantes cubanos tiveram uma performance
acima da média regional".O sistema educacional de Cuba - junto com a saúde - foi uma prioridade no governo do presidente Fidel Castro desde o começo da revolução há quatro décadas, quando os
professores de cultura viajavam pelo interior.
Críticos afirmam que Castro usou a educação como um recurso para a doutrinação política. No passado, os livros de leitura do primeiro grau incluíam slogans
revolucionários como "Estude, Trabalhe, Assalte", e o governo freqüentemente mobiliza jovens estudantes para manifestações políticas.
As descobertas são especialmente relevantes já que a ilha
viveu sob embargo econômico dos Estados Unidos por décadas e perdeu seu cliente soviético - e bilhões de dólares em subsídios - há uma década, mergulhando os cubanos em um período de austeridade, apagões e faltas de
comida. Os planejadores do governo afirmam que desviaram fundos de outras áreas para reforçar escolas e hospitais, que no entanto deterioraram.
"A questão é se Cuba vai conseguir sustentar esse
sistema com o passar do tempo", disse Peter Hakim, presidente do Diálogo Interamericano, um fórum de líderes do hemisfério em Washington, que co-patrocinou o estudo.
Os recursos sozinhos não
explicam o sucesso de Cuba. A maioria das nações do hemisfério gastou mais dinheiro público por estudante do que a partilha de menos de US$1 mil em Cuba. Os Estados Unidos gastam mais de US$6 mil por estudante, enquanto
o Chile, México e Brasil gastam mais de US$1 mil, segundo o estudo.
"Ele mostra que países com baixos níveis de renda nacional ainda podem estabelecer educação de qualidade para suas crianças",
afirmou Hakim. "Os países latino-americanos não conseguem superar a pobreza quando estão falando da pobre qualidade da educação".
Alguns analistas especularam que a arruinada economia de Cuba
tem o efeito paradoxo de preencher as escolas com bons professores. De acordo com esse argumento, as oportunidades são tão limitadas que muitos possíveis empresários e profissionais tem poucos recursos além de dar aulas.
"O motivo pelo qual eles têm bons professores é que não há nenhum outro emprego", declarou Puryear. "Muitas dessas pessoas não estariam dando aulas se houvesse um sistema econômico
diferente".
As descobertas no resto da América Latina são desanimadoras. O estudo, que deve ser apresentado na sexta-feira pelo presidente do Banco de Desenvolvimento Interamericano, informou que a
qualidade continua baixa, a falta de qualidade continua alta e algumas escolas não são suficientes para os pais e comunidades locais.
"O resultado é que, em um momento em que os recursos humanos cada
vez mais constituem a vantagem comparativa das nações, a América Latina não está acompanhando o ritmo", afirma o estudo.