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Cuba tem a melhor educação na AL

Christopher Marquis

Cuba, uma nação marxista com profundas dificuldades econômicas, é líder na América Latina em educação primária, descobriu uma força-tarefa regional.
Em testes, taxas de formação e níveis de cultura, os estudantes primários cubanos estão no topo de uma lista de toda a América Latina, informou a força-tarefa.

Na verdade, a performance dos alunos cubanos de terceira e quarta série em matemática e língua foi tão superior do que as outras nações que a agência da ONU que administrou o teste voltou a Cuba e testou os estudantes de novo, de acordo com um coordenador do estudo.
"Eles voltaram a Cuba e refizeram o teste porque havia alguma anormalidade", informou Jeff Puryear, o co-diretor da Parceria pela Revitalização Educacional nas Américas, que ajudou a organizar a força-tarefa. "Essa é uma comparação boa, sólida e confiável".

A força-tarefa destacou os resultados do primeiro teste regional de estudantes primários, que foi administrado em 1998 pela Organização Educacional, Científica e Cultural da ONU (Unesco).
"Cuba liderou a região nos resultados de terceira e quarta série em matemática e língua", afirma a equipe. "Mesmo as classes mais baixas de estudantes cubanos tiveram uma performance acima da média regional".

O sistema educacional de Cuba - junto com a saúde - foi uma prioridade no governo do presidente Fidel Castro desde o começo da revolução há quatro décadas, quando os professores de cultura viajavam pelo interior.

Críticos afirmam que Castro usou a educação como um recurso para a doutrinação política. No passado, os livros de leitura do primeiro grau incluíam slogans revolucionários como "Estude, Trabalhe, Assalte", e o governo freqüentemente mobiliza jovens estudantes para manifestações políticas.

As descobertas são especialmente relevantes já que a ilha viveu sob embargo econômico dos Estados Unidos por décadas e perdeu seu cliente soviético - e bilhões de dólares em subsídios - há uma década, mergulhando os cubanos em um período de austeridade, apagões e faltas de comida. Os planejadores do governo afirmam que desviaram fundos de outras áreas para reforçar escolas e hospitais, que no entanto deterioraram.

"A questão é se Cuba vai conseguir sustentar esse sistema com o passar do tempo", disse Peter Hakim, presidente do Diálogo Interamericano, um fórum de líderes do hemisfério em Washington, que co-patrocinou o estudo.

Os recursos sozinhos não explicam o sucesso de Cuba. A maioria das nações do hemisfério gastou mais dinheiro público por estudante do que a partilha de menos de US$1 mil em Cuba. Os Estados Unidos gastam mais de US$6 mil por estudante, enquanto o Chile, México e Brasil gastam mais de US$1 mil, segundo o estudo.

"Ele mostra que países com baixos níveis de renda nacional ainda podem estabelecer educação de qualidade para suas crianças", afirmou Hakim. "Os países latino-americanos não conseguem superar a pobreza quando estão falando da pobre qualidade da educação".

Alguns analistas especularam que a arruinada economia de Cuba tem o efeito paradoxo de preencher as escolas com bons professores. De acordo com esse argumento, as oportunidades são tão limitadas que muitos possíveis empresários e profissionais tem poucos recursos além de dar aulas.

"O motivo pelo qual eles têm bons professores é que não há nenhum outro emprego", declarou Puryear. "Muitas dessas pessoas não estariam dando aulas se houvesse um sistema econômico diferente".

As descobertas no resto da América Latina são desanimadoras. O estudo, que deve ser apresentado na sexta-feira pelo presidente do Banco de Desenvolvimento Interamericano, informou que a qualidade continua baixa, a falta de qualidade continua alta e algumas escolas não são suficientes para os pais e comunidades locais.

"O resultado é que, em um momento em que os recursos humanos cada vez mais constituem a vantagem comparativa das nações, a América Latina não está acompanhando o ritmo", afirma o estudo.

Texto originalmente publicado no New York Times

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