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Geopolítica e Drogas

Gerald Colby
  Charlotte Dennett

Enquanto a guerra da CIA contra a guerrilha de esquerda fervilhava na Amazônia peruana em 1965, a norte-americana Nicole Maxwell se transformara em celebridade graças ao seu livro Wich Doctor Appentice falava de sua expedição à selva peruana  em 1958 para coletar plantas medicinais para uma empresa farmacêutica de Nova York. No curso das aparições em TV, Maxwell caiu no agrado da mídia e vice-versa.

J.C. King procurou-a dizendo que conhecia a selva, pois tinha trabalhado com a Junta de produção da Borracha durante a Segunda Guerra Mundial, quando aprendeu que o poder das plantas medicinais indígenas era mis do que superstição. Agora que aposentara da direção sul-americana da Johnson&Johnson estava livre para investigar estes remédios.

Ele sabia que Nicole Maxwell era uma pessoa com boa compreensão da América do Sul. Durante a Segunda Guerra, tinha trabalhado em Washington como diretora do Instituto Latino-Americano, uma organização associada ao CIAA de Nelson Rockefeller. Em 1848, ela iniciou sua primeira expedição à Amazônia, coincidindo com a primeira expedição da Standard Oil de Nova Jersey à Amazônia equatoriana. Os boatos que era uma espiã podiam ser mais perigosos do que os caçadores de cabeças jívaros.

Do Equador de Galo Plaza, ela foi para o Peru de Manuel Odría, quando este estava abrindo novas áreas da Amazônia a empresas petrolíferas dos EUA e de outros países. Ela fez reportagens sobre os acontecimentos na Amazônia para o diário da colônia americana, o Peruvian Times, um grande incentivador das vendas petrolíferas do Peru e do potencial econômico da região.

Do Peru ela foi para La Paz, no momento em que os mineradores indígenas bolivianos lideraram com sucesso a nação na derrubada da velha oligarquia. A revolução abriu caminho para que o governo explorasse os campos petrolíferos nacionalizados da Standard Oil perto de Camirí.

Nicole Maxwell trabalhou como correspondente para revista Vision, que era financiada pela CIA, como se soube depois.

Ela ficou na Bolívia durante os quatro anos que foram o apogeu dos indígenas, aperfeiçoando seu estilo de escrever e fazer reportagens. Em 1958, a revolução indígena chegou ao fim e Maxwell voltou para Nova York. Foi lá que conheceu os executivos de uma empresa farmacêutica interessada em plantas medicinais da Amazônia peruana e aceitou a tarefa que a tornou famosa.

Assim, Nicole Maxwell já era conhecida em certos círculos, como mais que uma exploradora e aficionada dos remédios naturais da selva. Para seu novo parceiro de negócios, que trafegava facilmente nestes círculos, seus conhecimentos da América do Sul, e não apenas as plantas, poderiam ser muito úteis.

J.C. King tinha se aposentado oficialmente da CIA em 1964, após a queda do governo de João Goulart no Brasil. Décadas se passariam antes que se desfizesse a impressão de que King tinha sido forçado a sair devido à baía dos Porcos ou por causa da idade, com sessenta anos sendo o limite da aposentadoria compulsória. Na verdade King tinha 64 anos quando de aposentou oficialmente e continuou na folha de pagamentos da CIA como consultor especial.

Sabia-se que King envolvera-se em guerra química e biológica após ter saído da chefia dos Serviços Clandestinos na América Latina. "Tenho certeza de que tinha um contrato de guerra química e biológica", lembrou um ex-funcionário da CIA.

Após a contratação de Nicole Maxwell, King voou para a área de Boston e abordou Georgia Persinos, uma jovem botânica da Faculdade de Farmacologia de Massa chusetts. Ele tinha visto uma fotografia dela num livro recente sobre remédios nativos, Green Medicine, de Margaret Kreig. Ele naturalmente não lhe disse que um dos famosos micologistas citados por Kreig, R. Gordon Wasson, tinha involuntariamente ajudado a CIA na busca de drogas controladoras da mente. Wasson levou um cientista do MKULTRA, James Moore, da Universidade de Delaware, numa expedição financiada pela CIA a Oxaca, México, para aprender os segredos da "carne-de-deus", o cogumelo alucinógeno que os índios mazatec locais consideravam sagrado. O trabalho de Persinos, com seus vinte anos e ingênua, era analisar as plantas usadas nos remédios indígenas coletados por Nicole Maxwell.

Em março de 1966, King estava pronto. Ele fez advogados registrarem os papéis em Nova Jersey, chamando a nova empreitada de Companhia de Drogas Naturais da Amazônia (Andco), com o objetivo de desenvolver, fabricar e vender remédios e "explorar o uso comercial de plantas e derivados químicos". King se nomeou presidente.

No entanto, o interesse de King ia além dos poderes das plantas medicinais. Era, como sempre, contra-insurreição. King ainda era assessor da CIA e a agência estava interessada em outras coisas além de ungüentos tropicais. O controle populacional estava se tornando cada vez mais importante na política do governo Johnson para o Terceiro Mundo, com John D. Rockefeller III pressionado pela criação de um assistente especial do presidente que supervisionasse os programas de controle da natalidade.

King viu a sorte acenando. Anticoncepcionais indígenas vinham sendo procurados desde que os antropólogos mencionaram, mai de vinte anos antes, que as índias conheciam plantas para controlar a fertilidade. Maxwell, na verdade, fizera nome promovendo anticoncepcionais nativos.

King pedia que Maxwell organizasse expedições para subir os afluentes do rio Amazonas em busca de plantas. Estas incursões incluíam agentes da CIA veteranos da guerra do Viet Nam.

Armados com morteiros e granadas, a missão deles obviamente não era coletar plantas, mas matar índios que, segundo eles, fossem não-amigáveis às incursões de King em seu território ou que atacassem. Em 1965, o reconhecimento de "índios selvagens" se tornara prioritário para a CIA na Amazônia, não apenas no Peru, e não apenas por agentes disfarçados.

Resumo extraído do livro
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Editora Record

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