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FHC, por 59 brasileiros ilustres

"Ou o Congresso põe ponto final no reiterado desrespeito a si próprio e a Constituição, ou então é melhor reconhecer que no País só existe um poder de verdade, o do presidente. E daí por diante esqueçamo-nos também de falar em democracia".
Senador Fernando Henrique Cardoso na Folha de S.Paulo, em 7 de junho de 90

Almte Roberto Gama e Silva

É importante informar que a Eletrobrás vinha gerenciando , com raro profissionalismo e grande competência, os Planos Nacionais de Energia Elétrica, o último dos quais, o Plano 2015, indicava o caminho para atender a demanda projetada até o ano 2015, mesmo com cenário extremamente otimista de crescimento econômico, o que não se tornou realidade devido ao esfacelamento do país pelos "neoliberais-entreguistas" que assaltaram o poder.
Por que então foi desprezado?
Esse plano, enquanto previa a prontificação de diversos aproveitamentos hidrelétricos, ainda preconizava o uso de outras fontes, como a nuclear, para tornar o sistema nacional mais flexível e confiável, por não depender apenas de uma única opção energética.
Meros títeres de interesses alienígenas, esses governantes não destinam sequer recursos para retirar da miséria 100 milhões de brasileiros, quanto mais para garantir o suprimento de energia para impulsionar o País na senda do progresso!

Lula

O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, acusou o presidente FHC de estar dando "um golpe" no Brasil. "Na verdade, o que ele está fazendo é um golpe que nem os militares tiveram coragem de fazer", disse ele. A afirmação de Lula foi feita na sede do Sindicato dos Bancários de São Paulo, ao comentar a política econômica do governo.
Lula disse que o presidente tenta fazer uma blindagem no novo governo. "É um absurdo. Tivemos 23 anos de regime militar, 6 anos de Sarney, 2 de Collor, 3 de Itamar Franco e 8 de FHC, e nunca alguém falou em Banco Central (BC) independente. Agora, que a elite brasileira corre risco de perder as eleições, eles inventam essa história de BC independente", disse.
Na opinião de Lula, a estrutura do BC o faz independente. "Eu acho que o BC já é muito independente. Se ele não fosse, não teria emprestado R$ 30 bilhões para o Proer, R$ 2 bilhões para o gangster do Cacciola, do Marka", disse. "Se a Marta Suplicy precisar de 50 reais emprestados, tem de passar pelo Senado. O Marka pega R$ 2 bilhões sem passar por ninguém. Quer mais independência do que isso?"
                                                                                   
Na Tribuna da Imprensa

Luiz Felipe de Alencastro

O historiador, professor-catedrático de história do Brasil na Universidade de Paris 4 (Sorbonne), na França, disse que um dos maiores fiascos do governo FHC é a falta de políticas para o negro. Como acadêmico, FHC foi um dos intelectuais mais sensíveis ao tema e dos mais respeitados por expor a desigualdade racial no Brasil. Por que ele não escolheu Milton Santos, que era negro e um dos maiores geógrafos que o país já teve, como presidente do IBGE?
De que adianta a bagagem universitária se as análises e o conhecimento adquiridos sobre a sociedade brasileira pelo sociólogo FHC não se transformam em atos do presidente FHC?
FHC fez uma aposta no capitalismo que poucos dirigentes do mundo fizeram, achando que os capitais estrangeiros iriam afluir e deslanchar o crescimento econômico, que resolveria sozinho os probelams de desigualdade social.
                                                                                        
Na Folha de S.Paulo

Verissimo

O Fernando Henrique Cardoso levou a sério a minha sugestão que ele seria o candidato ideal da oposição em 2002.
Fernando Henrique lembrou seus tempos de senador progressista quando defendia a inserção soberana do Brasil na economia internacional, numa crítica sutil à inserção submissa e ao leiloamento da soberania nacional patrocinados pelo atual governo.
Falou da necesssidade de uma reforma tributária, só faltando perguntar talvez para não melindrar demais o presidente Éfe Agá, que também estava presente ao evento – o que fez este governo, cuja base , como observou, sempre vota com ele por mais que digam que está acabando, e que pode comprar do Congresso emendas para a reeleição e desistências de CPIs, que ainda não conseguiu aprová-la?
Criticou a descentralização, que trouxe "muitos problemas novos de corrupção, de ineficiência, de má gestão, de falta de controle" e referiu-se abertamente ao uso "de recursos públicos para clientelismo próprio", no que podia ser uma alusão tanto aos métodos de convencimento do Congesso pelo Executivo quanto ao presidente do Senado que Éfe Agá preferiu, Jader Barbalho.
                                                                                       
Em O Globo

Millôr Fernandes

De uma coisa ninguém pode me acusar: de ter perdido meu tempo lendo FhC (superlativo de PhD). Nada de pejorativo nessa afirmação. Mas quando FhC se tornou vosso presidente, achei que devia ler o Mein Kampf dele, quando, no Chile, defendia bravamente sua Mercedes Cebrap (''A mais linda Mercedes azul que vi na minha vida.'' - Weffort, na tevê, quando ainda não sabia que ia ser ministro), e nós ficávamos aqui, numa boa, papeando descontraidamente com a hospitalidade irrecusável da rapaziada do DopsDoiCod.

Sentindo-me incapaz de entendê-lo, preferia usar meu tempo lendo sociologia mais ao meu alcance, como o Almanaque da saúde da mulher.

Quando, afinal, enfrentei o tal Opus Magno Dependência e desenvolvimento na América Latina tive que dar a mão à palmatória. O livro tem alcance muito acima da minha expectativa e, sobretudo, de minha compreensão. De deixar o imortal Sir Ney cair de quatro, se já não estiver nessa posição. Sem qualquer partipri a favor, mesmo porque não há como supervalorizar a obra, transcrevo um trecho, apanhado no mais absoluto acaso, pra que os leitores babem por si:
"Mas o externo, nessa perspectiva, expressa-se também como um modo particular de relação entre grupos e classes sociais de âmbito das nações subdesenvolvidas. É precisamente por isso que tem validez centrar a análise de dependência em sua manifestação interna, posto que o conceito de dependência utiliza-se como um tipo específico de causal-significante - implicações determinadas por um modo de relação historicamente dado e não como conceito meramente mecânico-causal, que enfatiza a determinação externa, anterior, que posteriormente produziria conseqüências internas.''
                             
"O tesão (grande tese) do ociólogo doido" no Jornal do Brasil

Fernando Henrique Cardoso

"Praticamente, todos os presidentes da América Latina ou, pelo menos, da América do Sul conversaram comigo nesses dias e pensam na mesma direção. O rei da Espanha, o presidente de Portugal, o presidente da França, os responsáveis, enfim, pelos destinos do mundo.
Ao perceber isso e ao perceber que todos sentem que o Brasil também fará o que for necessário para manter um caminho de transparência, de prosperidade, eu sinto que o país, como disse na campanha, escolheu um destino histórico.
E nosso destino é o de continuar crescendo, é o de atender as necessidades do nosso povo, é de manter a nossa capacidade de governar de acordo com o que interessa ao nosso país e é também - e só assim os povos são grandes - de fazer os sacrifícios que forem necessários, sob a condição de que eles não recaiam sobre os que mais necessitam e sob a condição de que se explicite o porquê das medidas que, eventualmente, venham a ser necessárias".
                               
Primeiro discurso do presidente FHC reeleito, em 8 de outubro de 1998

Rogério Cezar de Cerqueira Leite

Enquanto um presidente convocar seus ministros, inclusive aqueles da área técnica, para extorquir votos contra essa ou aquela CPI, não haverá tempo ou atenção para que se debrucem sobre problemas técnicos. Enquanto cargos de primeiro e de segundo escalões forem moeda de troca para apoio negociado com grupos políticos, haverá apagões e crises variadas.

Tomo emprestado agora um interessante modelo teórico recentemente elaborado pela autoridade filosófica local, a saber, a zona Giannotti da imoralidade. Se ela de fato existe, como postula o decano da academia paulistana, então deve tembém haver uma correspondente zona de irresponsabilidade. Se ao político se concede um interregno de imoralidade, também ao governante deveria ser concedido um intervalo de impunidade. Por que não uma banda  de tolerância para com a corrupção? E será que, no fundo, essas bandas não são a mesma coisa em sua essência?

Enquanto o governo for governado pelo FMI, que impõe as diretrizes para a economia nacional e impede investimentos do Estado e exige privatizações extemporâneas, os apagões continuarão.

Quem decide sobre a extensão dessa banda? E por que não incluir os senadores Antono Carlos, Arruda e Barbalho e perdoá-los? Quem tem a medida? E com isso perdoamos também a irresponsabilidade da atual administração em seus dois mandatos e a irresponsabilidade de sua desastrada antecessora?
                                                                             
Na Folha de S.Paulo

Angeli

Esperava que o governo fosse mais atuante e mais condizente com a história de quem está no governo, não só a do Fernando Henrique, como a do Serra, do Aloysio e de outros. São pessoas que participaram da resistência, foram exiladas, pessoas que desenvolveram todo um pensamento de esquerda. Acho que o Fernando Henrique, a partir do momento em que buscou apoio da direita glutona, do Antônio Carlos Magalhães, do Maluf, pra poder se eleger, já começou errado, comprometido com tudo aquilo que o Brasil não queria mais. Não dá pra ser progressista ao lado do Antônio Carlos Magalhães e com apoio do PPB do Maluf, Marco Maciel, pessoas que tiveram participação no governo do Collor, que vieram da antiga Arena, impossível achar que vai ter uma renovação aí. O Fernando Henrique foi muito egocêntrico...
Ele subestimou a direita, achou que ia ser mais poderoso que tudo isso, que o nome dele iria suplantar qualquer acordo, e não suplantou, não. Porque direita é um verme, é que nem cupim, eles se enfronham. E, é incrível, a direita parece que tem mais capacidade de se locomover entre vários ambientes do que a esquerda. E um problema do Fernando Henrique é que ele quer fazer as coisas sem causar problemas: "Não queremos problemas com os militares; é melhor a gente fazer tudo certinho, como bons moços, que se cumprimentam aqui, se cumprimentam ali". É impossível, tem aquela frase: "Não se faz revolução sem derramamento de sangue".
Na verdade, Fernando Henrique precisava era derramar um pouco de água pra fora da bacia e não se ligar às forças que estão aí desde os tempos dos dinossauros.
                                                                        
Na Caros Amigos On Line

Sebastião Nery

A oposição, a imprensa e o País erraram, não acreditando em Fernando Henrique Cardoso, quando ele disse que foi "pego de surpresa" com a crise de energia. Parece impossível que um presidente da República, depois de seis anos e meio no governo, não tenha sabido do que todos nós sabíamos.
Realmente é inacreditável que ele não tenha lido um só das centenas de relatórios que lhe foram enviados, no Palácio do Planalto, pelo Ministério de Minas e Energia, pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e pelos dirigentes das principais empresas de energia, como Furnas, Chesf, Itaipu, Eletronorte, mostrando que, sem investimentos, proibidos pelo FMI, por Pedro Malan e por ele, viriam inevitavelmente o colapso, a falta de energia, o apagão.

Pois o absurdo é a verdade. Desta vez, pela única vez, ele não mentiu.

FH foi de fato "pego de surpresa". Ele é tão irresponsável, tão leviano, tão preguiçoso, que nunca tomou conhecimento do problema, como aliás não toma conhecimento de nada sério.
Ele só gosta do gostoso do poder, do bem-bom do poder, dos fins de semana prolongados, das intrigas do poder, da fofoca política, do charme internacional, das viagens, da vadiagem.
Ele não sabia mesmo de nada. Ele só sabe o que lhe interessa ou a seus patrões internacionais. Ele nunca sabe de nada que interesse ao País.
                                                            
Na Tribuna da Imprensa

Mentir, ele mente muito, mente demais, mente sempre, mente por prazer, compulsão e índole. Mas desta vez falou a verdade.

Chico Buarque de Hollanda, Maria Victória Benevides, Miguel Arraes, Guido Mantega, Dora Kramer, José Arbex Jr., Correio da Cidadania, Delfim Netto, Maria da Conceição Tavares, João Ubaldo Ribeiro, Aloizio Mercadante, Osiris Lopes Filho, Carlos Chagas, Roberto Requião,
Grupo Tortura Nunca Mais.

Luiz Gonzaga Belluzzo, Gal Helio Lemos, II Fórum Social Mundial, Reinaldo Gonçalves, Aloysio Biondi, Celso Brant, Bautista Vidal, Cristovam Buarque, Wladimir Pomar, Celso Furtado, Elio Gaspari.

Almte Gama e Silva, Lula, Luiz Felipe de Alencastro, Verissimo, Millôr Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Rogério Cezar Cerqueira Leite, Angeli, Sebastião Nery.

 José Dirceu, Xico Sá, Carlos Brickmann, Villas Bôas Corrêa, Miro Teixeira, Ciro Gomes, Leonardo Boff.

Leonel Brizola, Paulo Nogueira Batista Jr., Gilberto Vasconcellos, Luís Nassif, Luiz Werneck Vianna, Moacir Werneck de Castro, Mauro Braga e Redação.

Franco Montoro, Glauber Rocha, Aureliano Chaves, Janio de Freitas, Gilberto Dimenstein e Josias de Souza, Barbosa Lima Sobrinho, Cony, Marilena Chauí.

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