1a. Página Opinião
Economia Mundo
Brasil À Deriva
Em Tempo
História
Papo

 

FHC, por 59 brasileiros ilustres

"Ou o Congresso põe ponto final no reiterado desrespeito a si próprio e a Constituição, ou então é melhor reconhecer que no País só existe um poder de verdade, o do presidente. E daí por diante esqueçamo-nos também de falar em democracia".
Senador Fernando Henrique Cardoso na Folha de S.Paulo, em 7 de junho de 90

Luiz Gonzaga Belluzzo

''Gosto de discussões teóricas. Sou amigo de todo mundo'', assegura, arrematado com um largo sorriso.
O mesmo ocorre em relação ao ex-czar da economia no regime militar, o deputado Delfim Netto, que passou por vários ministérios, da Fazenda à Agricultura. Belluzzo evita o confronto, mas no livro Depois da Queda, disseca o excessivo endividamento daquele período e demonstra como levou o país ao coquetel explosivo da moratória e dos juros astronômicos.
''A nossa grande vantagem é que os dólares tomados naquela época serviram para financiar uma excelente base de telefonia, a rede elétrica e por aí em diante'', diz Belluzzo. Nesse ponto, o professor diferencia o Brasil, por exemplo da Argentina. ''A dívida externa argentina, infelizmente, serviu para financiar a fuga de capitais''.
O desfecho nos dois lados da fronteira, nos anos 90, foi a sedução da renúncia à condição de sociedades politicamente organizadas. ''A conversibilidade argentina e o uso da âncora cambial, no Brasil, foram gestos de abdicação da soberania monetária'' - critica - ''em ambos os casos há uma renúncia clara à prerrogativa de utilizar as políticas monetária, cambial e fiscal como instrumentos de desenvolvimento''. É o oposto da trilha percorrida pelo Brasil no início da industrialização, alavancada por uma negociação externa competente no período Getúlio Vargas.
''Vai ver que era isso a que o presidente Fernando Henrique estava se referindo quando disse que queria acabar com a era Vargas, ironiza".
                                                                                         
No Jornal do Brasil

General Helio Lemos

Os EUA vêm se utilizando de todos os meios possíveis para forçarem as nações possuidoras de grande potencial de subsolo, como o Brasil, a assinarem acordos que apresentam, tendo em vista o aumento de sua própria riqueza, cada vez maior. Então, com os acordos Nafta, OMC, AMI, Alca e a Lei de Patentes, vêm impondo ao mundo uma destruidora democracia. E não satisfeitos ainda continuam levando os países a subordinarem-se aos empréstimos do FMI, para desgraça final, como vem acontecendo com a grande nação argentina.
Que democracia é esta? Na verdade, a democracia somente poderá existir quando as nações a praticarem corretamente, interna e internacionalmente e, por exemplo, jamais da forma criminosa como vem procedendo o governo FHC, que só entende a democracia com dinheiro sujo. Com tanta irregularidade, parece-nos que o indiferentismo para melhorá-la acabará por levá-la ao túmulo.
                                                                                                         Na Tribuna da Imprensa

Porto Alegre - II FSM

No Fórum Social Mundial em Porto Alegre, concluiu-se que mesmo que seja importante ao mesmo tempo reforçar o Estado-nação, paralelamente é importante consolidar um tribunal penal internacional. Na visão da maioria dos participantes, a criação do tribunal é essencial para a preservação das democracias, na medida em que o fluxo de capitais é irrestrito e indiscriminado e as corporações ficam livres.
Segundo o juiz espanhol Baltasar Garzón, o capital que entra sem controle em um país, muitas vezes é lavado em financiamentos para partidos políticos.

Já a francesa Susan George, da Attac, falou genericamente sobre o exercício do poder e, mesmo defendendo o fortalecimento do Estado-nação, alfinetou o presidente Fernando Henrique Cardoso, ao dizer que devem ser impostos limites.
"Fernando Henrique Cardoso era uma pessoa muito progressista. Era. Então, deve haver limitação a todas as pessoas que exercem o poder", afirmou ela.
                                                                      
Léo Gerchmann na Folha de S.Paulo

Reinaldo Gonçalves

No front interno a desestabilização macroeconômica durante o governo FHC é evidente. Somente a inflação tem estado em níves satisfatórios, se comparados com a experiência de alta inflação das duas últimas décadas. Mesmo assim, deve-se ressaltar que uma inflação média anual da ordem de 8%, no contexto de desempenho medíocre da economia, representa uma crescente perda de bem-estar dos brasileiros.
Em 150 anos de história das finanças públicas no Brasil, FHC é responsável pela maior carga tributária, o maior gasto (pagamento de juros), o maior deficit e o maior endividamento.
FHC é um perdedor porque o desempenho medíocre da economia tem sido acompanhado pela quebra financeira do Estado brasileiro e pela maior concentração de riqueza e renda nas mãos dos capitalistas e, principalmente, nas mãos dos rentistas.
                                                              
No Jornal dos Economistas, do Corecon-RJ

Aloysio Biondi

Não existe planejamento porque o neoliberalismo prega que o Estado não deve intervir porque prejudica o consumidor.
Ele diz que é melhor que todas (as multinacionais) venham, briguem. Isso é o que antigamente os economistas chamariam de irracionalidade na alocação de recursos na sociedade. Porque tudo isso vai ser perdido. Acho que a gente vai passar por um terremoto muito grande.
Acredito que seja um ciclo que está terminando, que o problema agora será dos EUA, e nós, infelizmente, vamos passar pelo purgatório que outros países já passaram. Espero que essa virada tenha ensinado alguma coisa para as pessoas, e que talvez os meios de comunicação percebam que eles ajudaram a afundar o país.

Na mira dos saqueadores do FMI e de FHC está a Petrobrás. Mais uma vez FHC disfarça e faz cena. Jura que não vai privatizar a Petrobrás. Mentira! Que significa então a abertura do capital da BR, as propostas de venda de setores  de transportes, refinarias e de poços da empresa?

Sindipetro-RJ

Tenho os jornais guardados. Tem até o FHC dizendo, em outubro de 1995: "Quando alguém me fala de recessão, eu tenho vontade de dar uma gargalhada". (risos)
                                                 
Entrevista na Caros Amigos em 19 de outubro de 1998

Celso Brant

O governo Fernando Henrique Cardoso foi a maior catástrofe que até hoje aconteceu na história do Brasil. O pior é que foi uma catástrofe programada, resultado de um plano friamente arquitetado.
É claro que FHC não teve nenhuma participação na elaboração do projeto, que saiu do imenso laboratório de maldades com sede nos EUA, e cuja finalidade é manter a sua hegemonia sobre o mundo. Muita gente não consegue entender como Fernando Henrique pode, em tão pouco tempo, destruir a economia nacional.
O governo apregoava que as privatizações seriam a salvação para o País porque o dinheiro arrecadado seria aplicado na amortização da dívida externa. Vendidas 78% das nossas estatais e arrecados mais de US$ 100 bilhões, essa dívida, no entanto, que era de US$ 120 bilhões, subiu para US$ 250 bilhões, isto é, mais do que dobrou.
Enquanto isto, um único ano do governo FHC (1999), nosso Produto Interno Bruto, que era de US$ 775 bilhões, caiu para US$ 555 bilhões.
O Brasil, que ocupava a 8ª posição entre as nações, caiu para o 15º lugar. A nossa renda per capita, no mesmo período, baixou de US$ 4,7 mil para US$ 3,4 mil.
                                                 
Em "Os vendilhões da Pátria", na Tribuna da Imprensa

Bautista Vidal

Fecharam-se os institutos, tínhamos alguns dos mais importantes institutos tecnológicos do mundo nessa área, foram esfacelados, não sobrou quase nada. Mesmo contando com estruturas poderosas, como o grupo de motores e turbinas do Ministério da Aeronáutica de São José dos Campos.
Eu não acho que o FHC tenha qualquer decisão em todo esse processo. Ele é um sujeito que está servindo à causa, essas coisas são muito bem pensadas por aqueles que o elegem.
Há um documento, publicado no Le Monde Diplomatique, de um professor de economia de uma universidade canadense (
Michel Chossudovksy da Universidade de Ottawa, em  A Globalização da Pobreza, Editora Moderna), descrevendo o roteiro do FHC antes da sua eleição para a presidência, quem ele visitou? Por exemplo, o homem do FMI, os acertos, e praticamente prevendo que ele seria inexoravelmente presidente do Brasil. Então, o FHC é um instrumento, um moço de recados do real poder mundial, financeiro, que controla o Brasil.
Ora, ele escreveu a teoria da dependência. Dizer que FHC está fazendo o oposto do que falava quando era de esquerda, não! Quando era esquerda, ele escreveu tudo o que está fazendo. E a dependência é um absurdo, como você vai desenvolver o país baseado na dependência dos seus competidores? Só um idiota aceita uma coisa dessas, e é a tese do trabalho dele. Eu fui ler pela segunda vez, já tinha lido o livro havia muitos anos e na ocasião não dei a menor importância, mas agora tinha de ler, não é? Aí me assustei, está tudo ali.
Ele acha que a dependência é uma coisa boa.
                                                                                
Entrevista na Caros Amigos

O Brasil tem 500 anos de Torres caindo, assustando por um instante e logo esquecidas, porque elas caem apenas sobre crianças pobres, desempregados e excluídos sociais.

Cristovam Buarque

O presidente nunca utilizou o argumento das Nossas Torres que caem. O presidente e seu governo não tiveram sensibilidade para perceber que todos os dias rebentam "Torres Sociais" no Brasil, que permitiriam a unidade e a mobilização dos brasileiros e do nosso Congresso na luta pela superação do quadro de pobreza que se mantém no país.

Pode-se lamentar que depois de tantas denúncias na política brasileira, ele não tenha aproveitado os fatos para liderar uma guerra nacional contra a corrupção. Quando alguns fatos passam dos limites, como no caso da violência, o governo parece se mover, mas logo percebe-se que apenas como um gesto de marketing.
Durante meses, o Brasil inteiro acompanhou notícias das conseqüências trágicas da seca no Nordeste, sem que qualquer mobilização fosse feita para o Congresso aprovar os recursos necessários para enfrentar-se de vez esse problema secular. No máximo distribuíram-se cestas básicas. É como se depois dos atentados do 11 de setembro, o presidente Bush se limitasse a distribuir alimentos para as famílias das vítimas soterradas.

No Brasil não falta terrorismo social derrubando Torres, faltam governantes sensíveis querendo mobilizar todo o País contra o terror social no dia-a-dia de crianças sem escola perdendo olhos no trabalho, homens endividados amputando as mãos, jovens seqüestrando e assassinando pessoas, desempregados perambulando nas ruas sem destino.

O quadro brasileiro pode ser menos impactante do que as chamas e as ruínas das Torres americanas, mas não são menos graves, nem justificam a naturalidade como são toleradas por nossos governantes. Os mesmos que ficam, corretamente, com os olhos marejados pelo espetáculo trágico das ruínas em Nova York, e nem ao menos visitam as ruínas de Nossas Torres, não conversam com nossos sobreviventes, não fazem guerra contra o terror social.
                                                                               
"Nossas Torres" em O Globo

Wladimir Pomar

É um resquício da tradição colonial que autoridades brasileiras, em suas viagens pelo mundo, façam figuração, arrotando grandezas, bravatas e uma independência que aqui dentro não praticam.
No reinado de FHC, por exemplo, o povo brasileiro foi submetido a uma duvidosa política de estabilização monetária, que conteve a inflação, mas, em contrapartida, gerou um brutal endividamento interno e externo, elevou de forma escorchante a carga tributária, alienou quase totalmente o patrimônio público e reduziu severamente os investimentos públicos e privados em novas forças produtivas.
Apesar disso tudo, FHC achou de bom tom fazer bravata na ONU, atacando os países ricos por nossos problemas. É evidente que eles também são responsáveis, com suas políticas espoliadores que visam margens crescentes de lucros, independentemente das conseqüências sociais que produzem. No entanto, FHC e sua aliança nada fizeram para proteger o Brasil e seu povo diante daquelas políticas.
Ao contrário, subordinaram-se a elas com perseverança, a pretexto de alcançar a modernidade.
Assim, como em tudo, FHC fez apenas figuração.
                                                                              
No sítio Correio da Cidadania

Celso Furtado

Com o Real a inflação foi substituída pela dívida. Quando se fez o Real, provavelmente se tinha como complemento uma reforma fiscal para aumentar a poupança. E não foi feito. Os setores da sociedade que têm alta renda teriam que pagar mais imposto. E aí é preciso dizer com todas as palavras que houve um recuo do governo. Outros interesses prevaleceram e, entre esses, particularmente, a reeleição do presidente, que exigiu concessões ao PFL, a grupos no Parlamento.
O momento histórico era o começo de Fernando Henrique. O impacto da estabilidade era tão positivo que o país estava preparado para fazer uma transformação. Faltou imaginação política ou coragem cívica, não sei. Reconheço que ele não esteve à altura do desafio que o Brasil enfrentou naquele momento. A menos que se diga que faltou a ele a percepção da grandeza histórica do momento.
                                                                                    
Em entrevista a O Globo

Elio Gaspari

Se há um manicômio na Praça dos Três Poderes, ele funciona no prédio em frente ao do Supremo Tribunal Federal. É no Planalto que está o maior ofidiário de fontes anônimas que mercadejam intrigas políticas, quase sempre contra pessoas do próprio governo. É no Planalto que se leva o presidente da República a homenagear a memória de um morto na explosão do World Trade Center estando o cidadão vivo. Foi no Planalto que se transformou, por inércia, uma greve de professores numa catástrofe pedagógica. É lá que se está reciclando a preguiça em truculência, fabricando-se uma legislação destinada a transformar greves em caso de polícia.
Gente esquisita essa que o habita. Não há notícia de que tenham combatido uma só greve quando estavam na oposição. Memórias ranhetas da greve dos metalúrgicos de 1980 ainda conservam a imagem do professor Fernando Henrique Cardoso chegando à matriz de São Bernardo para dar ânimo a uma greve que sabia perdida, morta e sepultada.
                                                                                      
Na coluna em O Globo

Chico Buarque de Hollanda, Maria Victória Benevides, Miguel Arraes, Guido Mantega, Dora Kramer, José Arbex Jr., Correio da Cidadania, Delfim Netto, Maria da Conceição Tavares, João Ubaldo Ribeiro, Aloizio Mercadante, Osiris Lopes Filho, Carlos Chagas, Roberto Requião,
Grupo Tortura Nunca Mais.

Luiz Gonzaga Belluzzo, Gal Helio Lemos, II Fórum Social Mundial, Reinaldo Gonçalves, Aloysio Biondi, Celso Brant, Bautista Vidal, Cristovam Buarque, Wladimir Pomar, Celso Furtado, Elio Gaspari.

Almte Gama e Silva, Lula, Luiz Felipe de Alencastro, Verissimo, Millôr Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Rogério Cezar Cerqueira Leite, Angeli, Sebastião Nery.

 José Dirceu, Xico Sá, Carlos Brickmann, Villas Bôas Corrêa, Miro Teixeira, Ciro Gomes, Leonardo Boff.

Leonel Brizola, Paulo Nogueira Batista Jr., Gilberto Vasconcellos, Luís Nassif, Luiz Werneck Vianna, Moacir Werneck de Castro, Mauro Braga e Redação.

Franco Montoro, Glauber Rocha, Aureliano Chaves, Janio de Freitas, Gilberto Dimenstein e Josias de Souza, Barbosa Lima Sobrinho, Cony, Marilena Chauí.

Topo!