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FHC, por 59 brasileiros ilustres

"Ou o Congresso põe ponto final no reiterado desrespeito a si próprio e a Constituição, ou então é melhor reconhecer que no País só existe um poder de verdade, o do presidente. E daí por diante esqueçamo-nos também de falar em democracia".
Senador Fernando Henrique Cardoso na Folha de S.Paulo, em 7 de junho de 90

Maria Victoria  Benevides e Chico Buarque de Hollanda

Charge genial  de Aroeira

Ao completar 100 dias do governo Lula, o Clip Pirata dá por encerrada a galeria de depoimentos sobre o período apelidado de Avança Brasil! Como os resultados apontam que não sabíamos para onde, nem porque, uma coisa ficou clara: sabemos na direção de quem se avançava. Ao quantificar os beneficiados pelo modelo corrupto, de exclusão e entreguista implementado, pode-se ver agora que além disso, ficamos muito mal resolvidos em todos os setores da vida nacional. Conceitos exóticos nortearam decisões sobre a nossa economia, atingiram brutalmente o patrimônio político e cultural dessa socialmente devastada Terra de Vera Cruz. Sob o biombo da democracia representativa, nunca tivemos um período tão escamoteado de nossa história.  Assim, coube em dupla, por escolha e oportunidade à professora Maria Victória Benevides abrilhantar nossa intenção em dar espaço ao esclarecimento àqueles que não tem, ou tem pouco, o suficiente para impedir a conscientização e ruptura ao povo brasileiro, como eternizou o magistral Chico Buarque em ...

... Vai Passar

... Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia
A nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos
Erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais

E um dia, afinal
Tinham direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval
O carnaval, o carnaval
(Vai passar)
Palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
E os pigmeus do bulevar
Meu Deus, vem olhar
Vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade
Até o dia clarear ...

Miguel Arraes

Estou convencido de que a situação do país é muito grave e é meu dever voltar para a Câmara, tendo em vista essa situação.
Tem que montar um rolo compressor para o Lula! A situação do país está se complicando, o que exigirá muita discussão. Um debate também sobre o que passou sobre o governo Fernando Henrique.
O outro FHC fez dois governos e passou em brancas nuvens. Agora está dizendo que o dólar e as coisas econômicas acontecem porque Lula é candidato. Mas ele mesmo vem fazendo essa situação que está e quer jogar para cima do Lula!
Temos 50 milhões que não comem direito, mas somos os maiores exportadores de soja (milhões de toneladas de soja em pellets para engordar o gado holandês). Não é fácil carregar 50 milhões de indigentes.
O Brizola tem um papel histórico, já fez muita coisa. No caso dele, ter mandato é secundário.
                                                                                      
Em O Globo

Guido Mantega

O economista, assessor econômico do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse que o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, "jogou a toalha" e, por isso, o dólar não pára de subir.
"O presidente do BC não deveria dizer que não tem mais nada para fazer. Não pode jogar a toalha, senão o mercado monta em cima", afirmou, criticando duramente Fraga, pelas declarações, quando ele culpou os candidatos pela tensão no mercado. "O presidente do BC entrou em campanha e deveria ficar neutro", afirmou Mantega.
Ao "jogar a culpa na oposição" pela tensão no mercado, Mantega acredita que Fraga está adotando uma "tática terrorista": "Parece que está querendo assustar o eleitor", afirmou. "Não é o futuro que está causando isso. É o passado", acrescentou, criticando a política econômica dos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso.
                                                                          
Na Tribuna da Imprensa

Dora Kramer

Personagem de honra no primeiro programa do horário eleitoral de José Serra, o presidente Fernando Henrique tomou um chá de sumiço da campanha. No início, avisou que não iria a comícios mas seria presença constante nos programas de televisão.
É óbvio que houve uma mudança de planos e a explicação pode estar nos números revelados na última pesquisa da CNI. Sem que tenha acontecido nenhum fato marcante, desabaram os índices de avaliação de FH. Aumentou cinco pontos percentuais a avaliação negativa de seu governo e positiva reduzida em sete pontos.
O desempenho do presidente também foi ruim nos itens aprovação e confiança. Os que não confiam nele são hoje 61% contra 56% da pesquisa anterior e os que desaprovam passaram de 53% para 58% . Nada que recomende um excesso de exposição.
Dora Kramer no Jornal do Brasil

José Arbex Jr.

A destruição da vida inteligente nas universidades públicas, federais e estaduais (principalmente na USP) é vital para a já anunciada implantação da ALCA, que significará a recolonização econômica, a "argentinização" do Brasil. Desse ponto de vista, a questão salarial dos professores e o problema da gratuidade ou não do ensino são aspectos parciais de um plano muito maior. Aqueles que organizaram a greve de um ano da Universidade Autônoma do México (numericamente, a mais importante da América Latina, com 300.000 alunos, professores e funcionários), em 1999, chegaram a esta conclusão: o endereço do verdadeiro inimigo não era o palácio presidencial, mas a Casa Branca.
O grande problema, hoje mais do que nunca, é o combate ao imperialismo, já que as instituições nacionais de governo estão sendo transformadas em meras agências de aplicação dos planos de Tio Sam.
Não há como escapar a esta simples constatação: o silêncio da universidade diante das atrocidades que são praticadas pelos Estados Unidos e governos apaniguados (como é o caso de FHC), ou ditas por professores simpáticos ao imperialismo, ou por ele cooptados (como também é o caso de FHC) é um silêncio cúmplice, não importa se a sua causa é o interesse, a covardia, a miopia ou a impotência.
Os intelectuais e a comunidade universitária devem assumir as suas responsabilidades, e a hora é já. Não há mais um segundo a perder.
                                                                                     N
a Caros Amigos Online

Correio da Cidadania

É gritante a discrepância entre a extraordinária adversidade do contexto histórico e a absoluta mediocridade das autoridades responsáveis pelo destino do Brasil. Sem recursos econômicos, políticos e morais para enfrentar as dificuldades que se avolumam, a coalizão conservadora liderada por FHC exacerba seu caráter anti-nacional e autofágico.
Antes mesmo que tivessem cessado os ecos da propaganda oficial louvando o último acordo com o FMI, que teria equacionado as contas externas até 2002, voltamos a viver o espectro de uma crise cambial. O desespero da equipe econômica em negociar mais um acordo com o xerife das finanças internacionais aponta para uma nova rodada de desnacionalização e de ajuste fiscal. O pior é que todos sabem que, mesmo que os banqueiros venham em socorro de FHC, nada garante que o estrangulamento cambial seja evitado.
Antes do que as previsões mais pessimistas supunham, estamos nos aproximando de uma situação argentina, de crise econômica permanente.
Começamos a viver uma nova fase do processo de reversão neocolonial. Ficará cada dia mais evidente que a estabilidade do Real significa crescente instabilidade econômica, social e política. As forças populares – as maiores vítimas da aventura neoliberal - devem construir uma crítica implacável ao modelo econômico e apontar, sem subterfúgios e ambigüidades, os rumos de um projeto de desenvolvimento que abra novos horizontes para os trabalhadores brasileiros.
                                                                         
No www.correiocidadania.com.br

Delfim Netto

Ele elegeu um culpado pelos últimos anos de marcha à ré da economia: o presidente Fernando Henrique Cardoso. "O presidente é o culpado. O risco é do Fernando Henrique, não é do Lula, Ciro ou Garotinho", critica o economista. Ele também dispara críticas aos especuladores do mercado financeiro e às agências de classificação de riscos.
Em 1998, quando o Brasil foi ao Fundo pedir US$ 41 bilhões, estava quebrado e no meio do processo eleitoral. O Bill Clinton (ex-presidente dos EUA), provavelmente decidiu pôr a mão a favor do Fernando Henrique, de forma que o Tesouro dos EUA e o Fundo armaram um empréstimo sem o qual o Brasil teria sido levado à desorganização antes da eleição e, provavelmente, teria sido eleito o Lula.
O saldo foi o seguinte: um fantástico desemprego, com um estoque de desempregados como nunca tinha sido visto. No Brasil, o desemprego está em torno de 8%, mas, em São Paulo, o nível do Dieese está por volta de 19%. Isso quer dizer que, na Grande São Paulo, de cada cinco pais de família, um está desempregado.
Quando da reeleição, o principal programa do governo era: quem acabou com a inflação, vai acabar com o desemprego. Essa foi uma mercadoria que não entregaram.
Esse governo vendeu praticamente todo o patrimônio nacional e, o que é pior, descuidadamente. O caso da energia elétrica é fantástico. Foi feita a privatização antes da regulação. O país foi conduzido a uma restrição de energia. O custo foi um pedágio de 2% do PIB. Esse foi o crescimento perdido por causa do racionamento.
Sobre a especulação do mercado financeiro que torce por um ''incêndio'' maior para lucrar mais, Delfim diz, pior, foi um piromaníaco que ateou fogo em tudo. O presidente FH disse ''ou vocês elegem quem eu quero, ou isso vira a Argentina''.
Quando isso aconteceu, os próprios credores foram olhar os números no microscópio. Então, não adianta depois dizer que as agências de rating não valem nada.
Essa é outra coisa curiosa. Transfere-se para o mercado sentimentos humanos.
O mercado, esse charmoso mercado, é um sistema de regras, de comportamento, que só funciona diante da maior moralidade. Por que Adam Smith (pai da teoria econômica moderna) acreditava que o mercado funcionava? Porque o mercado foi constituído por gentlemen ingleses, aristocratas. Não era por esse tipo de especulador como George Soros. Ele disse que quem tinha que votar era o americano. É a negação da dialética entre urna e mercado. Então, deveríamos suspender o processo eleitoral?
É algo muito parecido com quem sugeriu entregar a Argentina ao Camdessus (Michel Camdessus, ex-dirigente do FMI).
Isso é impensável. Mas só mostra a posição de cócoras em que fomos postos.
                                                                                           
No Jornal do Brasil

Maria da Conceição Tavares

A "irresponsabilidade cambial" e a "irresponsabilidade fiscal" dos útimos sete anos do governo de FHC estão intimamente ligadas pela política monetária de restrição do crédito interno, com elevadíssimas taxas de juros. Ambas levaram o país a uma armadilha financeira interna e externa que, só a partir da crise argentina, foi sendo reconhecida pelos "formadores de opinião".
Entretanto o governo continua pregando a "responsabilidade fiscal" e aumentando a carga de juros pagos com impostos e contribuições sociais. Os líderes do setor privado continuam mantendo a retórica simplista de "diminuir o peso do estado", mas referem-se apenas à "carga fiscal" e não aos cortes no gasto social programado e na infraestrutura, nem o fato de que os juros escorchantes aumentam as "receitas não operacionais" das empresas e produzem os elevados lucros dos bancos.
Após a desvalorização cambial de janeiro de 1999,o governo gaba-se de obter superavits primários superiores aos acordados com o FMI, apesar de saber à custa de quem eles estão sendo financiados. Esta postura não deixa de ser uma manifestação de suprema arrogância e de desprezo pela situação social da maioria da população que paga o pato da recessão, desemprego e da piora na distribuição de renda a favor dos rentistas. E o que é pior, sem qualquer garantia de fechamento das contas externas (Não chores por nós Argentina).
Uma política de privatizações sem garantias de investimento a médio e longo prazo, com empresas internacionais que não são do núcleo duro do mercado global e que entraram apoiadas em empréstimos ponte de bancos internacionais de segunda linha.
As empresas privatizadas são responsáveis por 2/3 da dívida externa privada, cujas amortizações explodiram e não se sabe como serão refinanciadas a aprtir deste final de ano, dada a situação de aperto de crédito internacional.
Este é o panorama sintético do final do governo FHC e da política econômica de sua equipe, que insiste (até hoje!) em nos fazer crer na solidez dos "fundamentos macro-econômicos" de sua política monetária e cambial, que implicam num "ajuste fiscal permanente" e tem conduzido a um dos maiores desajustes das finanças públicas e do financiamento externo público e privado da história da República. Definitivamente, a nossa elite não partilha mais sequer da racionalidade instrumental (compatibilidade entre fins e meio), que dirá da racionalidade substantiva que deveria presidir os rumos da Nação.
                                                                   
No Jornal dos Economistas do Corecon-RJ

João Ubaldo Ribeiro

Olhem em torno. Onde não há denúncias de roubo ou maracutaias, onde é possível manter um relacionamento honesto, de acordo com padrões importados e em diametral desacordo com a nossa inata maneira de ser? Segundo ouvimos dizer e há sempre alguém por dentro que nos garante que é assim mesmo, não existe área de atividade no Brasil que não seja marcada pelo falcatruísmo. Pensemos no governo.
Ninguém levantou acusações diretas de falcatruísmo contra o Homem, mas o Executivo que ele relutantemente chefia não está imune, como sabemos. Para o Judiciário, ergamos como ícone o juiz Lalau. E para o Congresso, ergamos as mãos para o céu, num país onde deputados estaduais ganham mais de um milhão por ano, marajás diversos idem e deputados federais burlam, para comprar carros, um dos muitos auxílios que os deputados federais recebem (é a gente mais auxiliada do país). E qualquer tentativa de moralização, como está ocorrendo agora mesmo, é detida pelas nossas tradições. Abrir sigilo bancário, nunca, bem como nunca expor a realidade do Congresso aos intrometidos olhos dos amadores, ou seja, nós, o povo. A polícia? Dinheiro resolve. As punições? Dinheiro resolve. Os atos ilícitos? Dinheiro resolve.
Alguém quer apertar os preços de produtos vendidos por peso ou extensão? Cobra-se o mesmo preço por menor quantidade e fica por isso mesmo. Por mais que se procure, não há lugar onde o falcatruísmo não triunfe no Brasil, desde o esporte às organizações de caridade a que damos parte do nosso rico dinheirinho. A fama é tão alta que agora o governo chinês busca nosso auxílio no combate à corrupção. Lá eles metem uma bala na nuca de quem é pegado roubando dinheiro público. Não vamos adotar tal prática, porque, além de ser contra nossa índole terna, representaria um verdadeiro genocídio.
E, além disso, o que os chineses, escudados pela dissimulação fu-man-chuniana da Misteriosa Sabedoria Oriental, querem mesmo é saber o que nós fazemos, para não fazer a mesma coisa lá. No falcatruísmo, ao contrário do futebol, nós sempre somos e seremos os melhores. Resta assumir de vez e ver se perdemos a timidez e acrescentamos o rótulo de "nacionalista" ao falcatruísmo. Vamos roubar aqui, mas não vamos nos limitar a isso, como agora. Vamos estender o falcatruísmo aos gringos e ver se roubamos deles um pouquinho também.
Para serem eleitos, os próximos candidatos não precisarão mostrar os dedos, como o Homem fez inutilmente. Que mostrem as mãos inteiras, num movimento de arrepanhar, e usem como slogan "todo mundo metendo a mão!" Nós ainda temos futuro, apesar dos catastrofistas.
                                                                                                
  Em O Globo

Aloizio Mercadante

A intensificação da abertura comercial e financeira e a desregulamentação da economia produziram resultados dramáticos: entre janeiro de 1995 e dezembro de 2001, o endividamento externo aumentou mais de US$ 100 bilhões; o déficit nas transações correntes com o exterior passou de US$ 1,7 bilhão para até US$ 30 bilhões por ano; o patrimônio público, em sua quase totalidade, foi privatizado e, em grande parte, desnacionalizado; centenas de empresas privadas nacionais passaram para o controle estrangeiro.
A economia nunca esteve tão instável e vulnerável, a dependência de capitais externos nunca foi tão grande, o desemprego aumentou cerca de 40% paralelamente a uma crescente precarização das condições de trabalho, o atraso de setores-chaves da infra-estrutura econômica tornou-se crítico, como ficou patente no caso da energia elétrica. No social, cresceram concentração de renda e desigualdade, a violência atingiu níveis inaceitáveis.
Mas nem todos perderam. O caso mais extraordinário é, sem dúvida, o dos bancos, que tiveram lucros reais aumentados em quase 300% entre 1995 e 2001. Compare-se essa cifra com o rendimento real dos ocupados, cujo crescimento médio no período foi inferior a 9%. Compare-se também com o salário real do trabalhador na Grande São Paulo, que caiu 18,8% nos anos 90. No mesmo período o imposto recolhido pelos bancos diminuiu em 50%, enquanto setores médios e de menores rendas foram castigados com o aumento da carga tributária.
Não há como não se curvar à realidade: trata-se, efetivamente, da era dos ganhos espetaculares dos bancos e do capital financeiro em geral, particularmente os de origem externa, que são os grandes beneficiários das políticas desenhadas pelo FMI e praticadas pelo governo governo FHC. Não por acaso foram eles os principais financiadores da campanha do presidente e são hoje os principais avalistas da continuidade da sua política econômica. Querem mais quatro anos de um país com "rumo", "com credibilidade", "sem aventuras" de que fala o presidente da República, para continuar "construindo o futuro" ... deles, à custa da precarização das condições de vida e de trabalho da maioria da população brasileira, para a qual a continuidade da atual política econômica, com ou sem "continuísmo", constitui a principal ameaça ao seu futuro.

Osiris Lopes Filho

Cauteloso, como é da índole da sua chefia, o governo federal realiza as suas extorsões e assaltos de natureza tributária, sempre prudentemente, mediante norma jurídica que edita, via medida provisória. Nisso se distingue dos batedores de carteira, dos "trombadinhas", dos ladrões de galinha e dos amigos dos bens alheios. Acautela-se, protegendo-se com normas jurídicas, que lhe propiciam praticar impunemente (esta é a esperança que os detentores do poder têm) suas ações contra o patrimônio dos cidadãos contribuintes e das empresas deste país.
Uma delas é a de sedimentar o "P", que se imaginava de provisoriedade, em "P" de permanente, na CPMF. Ameaça-se com mais uma prorrogação de sua vigência e, se houver colaboração de parte da oposição que deseja parecer bem comportada, com a sua eternização.
Trata-se do mais absurdo e indecente tributo existente em nosso elenco tributário.
É exemplo antinômico. Demonstra a vagabundagem, o horror do governo ao duro trabalho de arrecadar, eis que isso é tarefa atribuída aos bancos e demais instituições financeiras; e indica desarrazoada voracidade de obtenção de receita, a qualquer custo, mesmo que isso seja alcançado com a desorganização da nossa economia.
Dinheiro que entra fácil, sem esforço ou trabalho, tende a virar renda cartorial, embora crie as maiores distorções na composição dos custos de produção, circulação e consumo na economia. É um tributo "gilete". Corta dos dois lados – na produção/circulação e no consumo. E é exponencial a sua pressão, eis que onera os fatores de produção, a cada pagamento realizado, aumentando, portanto, os respectivos custos. E pior, a movimentação financeira em si mesma não demonstra capacidade contributiva. Ela é apenas um meio, cujo emprego é que vai evidenciá-la. E aí já existe o correspondente imposto.
É um tributo que tem tudo de ruim. É regressivo, posto que pesa mais intensamente nos desfavorecidos economicamente; é uma caixa-preta, pois administrado pelos bancos e instituições financeiras; é entreguista, pois favorece à importação, apenando a produção nacional; e propicia escapismo, pois se imagina, equivocadamente, que favorece o combate mortal à evasão.
                                                                        
No www.correiocidadania.com.br

Carlos Chagas

BRASÍLIA - Por que tamanha obstinação do presidente Fernando Henrique em impedir a formação da CPI? De que maneira um chefe de governo admite descer aos porões da barganha, ameaçando e mandando oferecer benesses a parlamentares dispostos a mudar de opinião? Como ministros podem ser temporariamente demitidos apenas para anular a assinatura de um suplente?
Não dá mais para contemporizar: Fernando Henrique Cardoso demonstra estar apavorado com a CPI da Corrupção no governo.
Estaria o presidente com medo de que antigos e atuais auxiliares seus sejam enunciados como corruptos? Tentaria salvar a imagem do falecido Sérgio Motta, denunciado como tendo colocado as sobras da primeira campanha numa conta das Ilhas Cayman? Quer evitar que se descubram perigosas relações entre o ex-secretário-geral da Presidência da República, Eduardo Jorge, e o juiz Nicolau dos Santos Neto?
Respingariam em seu gabinete essas duas suspeitas? Ou será por conta das fitas gravadas envolvendo antigos ministros, como Mendonça de Barros, e outros altos funcionários do Executivo, na tentativa de condicionar a privatização das telecomunicações? Será por conta de o Banco Central, com o aval da equipe econômica, haver vendido US$ 1,2 bilhão a um banqueiro ladrão, a cotações bem inferiores às do mercado?
Ou tem coisa pior, mais explosiva, capaz de levar o governo à garra?
Há algo de podre na insistência de FHC barrar CPI.
                                                                                   
Na Tribuna da Imprensa

Roberto Requião

Concordo que os partidos não devam se fechar à possibilidade de se coligarem. O que não tem sentido é a coligação que, antes de princípios, de programas, leve em conta se a parceria representa ou não "um bom negócio", Recentemente, em uma reunião que discutiu a coligação com o PSDB, um dirigente do PMDB saiu do encontro dizendo que o nosso partido "estava fazendo um bom negócio".
O país, a vida dos brasileiros não devem ser objetos de negócio. Qualquer aliança deve dizer respeito ao país. Aliança não é negócio, não é simples acomodação eleitoreira.
Essa aliança e esse programa também devem levar em conta o que aconteceu no país nos últimos oito anos.
Entre outras coisas, que a participação brasileira no comércio mundial caiu de 1,2% para 0,8% de hoje; que o salário dos trabalhadores sofreu um achatamento superior a 20%; que o número de desempregados triplicou nesse último quadriênio; que a desnacionalização da economia atingiu índices argentinos; que as privatizações à brasileira notabilizaram-se, mundialmente, pelas facilidades concedidas aos compradores das estatais.
                                                                                        
Na Folha de S.Paulo

Grupo Tortura Nunca mais

A 'Campanha Nacional Contra a Impunidade', repudia a grande operação de marketing que vem sendo montada pelo Governo FHC para apresentar sua campanha contra a tortura. Esta tenta favorecer sua imagem de defensor dos direitos humanos nacional e internacionalmente.
O S.O.S. Tortura responsabiliza o indivíduo – atingido ou não – pela denúncia do crime de tortura. Retira do Estado e de seus agentes – aqueles que mais torturam – o ônus da denúncia e investigação.
Um governo que nega direitos sociais e trabalhistas já conquistados, que promove o desemprego e a miséria não tem credibilidade para posar como defensor dos direitos humanos.

Panfleto divulgado na ABI-Rio em 01/04/2002, durante a entrega da 14ª Medalha Chico Mendes de Resistência.

Chico Buarque de Hollanda, Maria Victória Benevides, Miguel Arraes, Guido Mantega, Dora Kramer, José Arbex Jr., Correio da Cidadania, Delfim Netto, Maria da Conceição Tavares, João Ubaldo Ribeiro, Aloizio Mercadante, Osiris Lopes Filho, Carlos Chagas, Roberto Requião,
Grupo Tortura Nunca Mais.

Luiz Gonzaga Belluzzo, Gal Helio Lemos, II Fórum Social Mundial, Reinaldo Gonçalves, Aloysio Biondi, Celso Brant, Bautista Vidal, Cristovam Buarque, Wladimir Pomar, Celso Furtado, Elio Gaspari.

Almte Gama e Silva, Lula, Luiz Felipe de Alencastro, Verissimo, Millôr Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Rogério Cezar Cerqueira Leite, Angeli, Sebastião Nery.

 José Dirceu, Xico Sá, Carlos Brickmann, Villas Bôas Corrêa, Miro Teixeira, Ciro Gomes, Leonardo Boff.

Leonel Brizola, Paulo Nogueira Batista Jr., Gilberto Vasconcellos, Luís Nassif, Luiz Werneck Vianna, Moacir Werneck de Castro, Mauro Braga e Redação.

Franco Montoro, Glauber Rocha, Aureliano Chaves, Janio de Freitas, Gilberto Dimenstein e Josias de Souza, Barbosa Lima Sobrinho, Cony, Marilena Chauí.

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