Diz o NSS, ao expor os novos desafios à segurança nacional, que o inimigo já não precisa, como no passado, de grandes exércitos e capacidade industrial
para por a América em perigo. A doutrina, muito antes do pretexto
Agora, segundo o NSS, grupos de indivíduos podem "trazer caos e sofrimento ao nosso território a custo inferior ao de um único tanque". Nessa guerra assimétrica (nova expressão do Pentágono), "os
terroristas se organizam para dirigir contra nós o poder das tecnologias modernas". Mas a estratégia já existia antes do 11/9. Não se tentou adotá-la antes porque os neocons sairam do governo com a derrota de Bush
em 1992. É compreensível a proliferação de teorias conspiratórias na Internet. Seria tão difícil arranjar pretexto para a nova doutrina como o foi para a Doutrina Truman em 1947, quando o governo, para convencer os
americanos sobre a ameaça vermelha, teve de amedrontar o país - "scare hell out of the American people", conforme a frase célebre, na época, do republicano Arthur Vandenberg, que deu apoio a Truman. Osama
Bin Laden, enfim, realizou o sonho dos neocons. A imagem das torres em chamas é ameaça até mais concreta, para os americanos, do que a do comunismo na Guerra Fria. Diante dela a Pax Americana, com guerras sem fim
("guerras perpétuas para paz perpétua", como disse Gore Vidal), ocupação militar, tropas espalhadas pelo mundo todo, garantindo os interesses econômicos, pode parecer menos criminosa. |